ALCOOLISMO

O alcoolismo não se define pela quantidade de bebida consumida, mas pela relação estabelecida com o álcool

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o alcoolismo — classificado como Transtorno por Uso de Álcool (TUA) — ocorre quando o consumo passa a ser marcado por perda de controlecompulsãopriorização da substância e persistência apesar das consequências negativas

O alcoolismo se instala quando o álcool deixa de ser uma escolha circunstancial e passa a ocupar uma função central na vida psíquica do sujeito. Beber deixa de ser apenas um hábito social e se torna um recurso recorrente para lidar com estados internos difíceis: ansiedade, angústia, vazio, exaustão emocional, euforia ou silêncio. 

Do ponto de vista psicológico, trata-se de uma modificação da relação com o prazer, com o tempo e com os limites. O sujeito não bebe apenas para sentir prazer, mas para regular o mal-estar, muitas vezes sem conseguir sustentar essa regulação de outra forma. 

O alcoolismo, portanto, não é definido por rótulos externos, mas pela redução progressiva da liberdade diante do álcool

ALCOOLISMO COMO DOENÇA

O alcoolismo é reconhecido pela medicina como uma doença crônica, recidivante e multifatorial.  De acordo com a OMS, ele envolve a interação de múltiplos fatores, entre eles: 

  • alterações neuroquímicas no sistema de recompensa cerebral 
  • mecanismos de compulsão e dependência 
  • fatores emocionais, psicológicos, sociais e culturais 

O consumo repetido de álcool modifica o funcionamento cerebral, especialmente nas áreas relacionadas ao prazer, à motivação e ao controle de impulsos. Com o tempo, o cérebro passa a priorizar o álcool, mesmo diante de prejuízos evidentes. 

Isso significa que o alcoolismo não é fraqueza moralnão é falta de força de vontade e não é ausência de amor-próprio

Reconhecê-lo como doença não elimina a responsabilidade subjetiva, mas retira o julgamento moral e permite que o tratamento e a recuperação sejam pensados de forma mais realista e digna.

O ALCOOLISMO SOB A PERSPECTIVA PSICANALÍTICA 

A psicanálise compreende o alcoolismo não apenas como um problema químico, mas como um modo de relação com o sofrimento psíquico

Freud já apontava que o uso de substâncias pode funcionar como uma tentativa de alívio imediato do mal-estar inerente à condição humana. O álcool, nesse sentido, atua como um objeto que promete anestesia, alívio e suspensão momentânea da angústia. 

Autores posteriores da psicanálise destacam que, no alcoolismo, o álcool tende a ocupar o lugar de um regulador emocional, sendo utilizado para lidar com aquilo que não encontra simbolização: excessos de excitação, vazios internos, dificuldades de limite e de separação. 

Não se trata apenas de prazer, mas de uma tentativa de manejo do insuportável. O problema surge quando essa tentativa se torna rígida, repetitiva e exclusiva — isto é, quando o sujeito passa a depender do álcool para existir com menos sofrimento. 

O QUE O ALCOOLISMO NÃO É

Alcoolismo não é: 

  • apenas beber aos fins de semana 
  • beber socialmente 
  • beber menos do que antes 
  • conseguir “ficar um tempo sem beber” 

Também não é: 

  • falta de disciplina 
  • falta de vergonha 
  • fala de forçca de vontade  

Muitas pessoas conseguem reduzir ou interromper o consumo por períodos e, ainda assim, permanecem presas à lógica da bebida: pensando nela, negociando limites, vivendo ciclos de controle e perda de controle. 

O problema não está no copo. 

Está na relação estabelecida com o álcool.

A VISÃO DO PORTAL MUDE DE VIDA

O Mude de Vida compreende o alcoolismo como um fenômeno complexo, que envolve corpo, psique e contexto social. 

Entendemos o alcoolismo não apenas como uma dependência química, mas como um sintoma de algo mais profundo: uma forma aprendida de lidar com o excesso de mal-estar quando viver se torna pesado demais. 

Por isso, o foco do portal não é apenas “parar de beber”, mas: 

  • compreender a função que o álcool ocupou 
  • reconstruir a relação com o prazer e com os limites 
  • sustentar presença, responsabilidade e autenticidade 

Falamos de sobriedade como um processo vivo, possível e humano. 

Sem promessas mágicas. 

Sem romantização da dor. 

Sem discursos de medo ou culpa.   

POR ONDE COMEÇAR

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