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SEXY SOBER: o prazer que o álcool nunca deu

O corpo é um território de forças.

Por ele circulam desejos, faltas, memórias, ansiedades e buscas. Entre tudo isso, há uma palavra que sempre retorna: prazer.

Durante muito tempo, para quem conviveu com o alcoolismo, prazer se confundiu com copos cheios, risadas fáceis, noites longas. A bebida parecia traduzir o que o corpo não sabia dizer: coragem, liberdade, intensidade. Mas o que ela oferecia era apenas um simulacro — um prazer falso, feito de anestesia e compulsão.

O movimento Sexy Sober nasce justamente da ruptura com essa mentira. Ele afirma que o prazer não precisa ser comprado em balcão de bar, nem derramado em taças. O prazer verdadeiro, profundo e erótico, é reencontrado na sobriedade. E, ao contrário do que a cultura da bebida nos fez acreditar, nada é mais sexy do que estar inteiro.

O MITO DO PRAZER NO COPO

O álcool sempre se apresentou como sinônimo de prazer. Publicidades venderam corpos brilhantes, festas intermináveis, noites “perfeitas”. As campanhas associaram garrafas a sorrisos, desejo, sensualidade. Criaram uma equação falsa: beber = viver o prazer.

Mas essa promessa tem uma lógica cruel: quanto mais você busca, mais se perde. O primeiro gole até dá um sopro de euforia. O segundo cria a ilusão de estar mais solto. O terceiro já é automático, porque o corpo pede mais. E, de gole em gole, o prazer desaparece — substituído por compulsão.

O álcool, no fundo, não entrega prazer. Ele rouba a capacidade de senti-lo.

Promete leveza, mas entrega peso.

Promete coragem, mas traz vergonha.

Promete intensidade, mas produz vazio.

É um ladrão travestido de amante.

 

PRAZER PELA PSICANÁLISE: FALTA, DESEJO, GOZO

A psicanálise nos ensina que prazer não é simplesmente sentir algo bom. O prazer nasce do alívio de uma tensão, da descarga de energia que o corpo acumula. É o que acontece quando a fome encontra o alimento, quando a carência encontra o abraço, quando o desejo encontra resposta.

Mas o humano não vive apenas de prazer. Há também o gozo — um prazer que passa da medida, que beira o sofrimento, que não sacia. O gozo é excesso, compulsão, repetição.

O alcoolismo se instala nesse campo: não na busca do prazer simples, mas do gozo desmedido. Beber não é sobre degustar, mas sobre insistir, repetir, correr atrás de algo que nunca chega.

O prazer verdadeiro está no caminho, na sutileza, na demora.

O gozo compulsivo atropela o caminho e deixa apenas escombros.

 

O PRAZER SEQUESTRADO PELO ÁLCOOL

O prazer pede tempo. Gosta de nuances. Vive no intervalo entre o desejo e a realização. É nesse intervalo que o frio na barriga floresce, que a pele arrepia, que o corpo se prepara para o encontro.

O álcool destrói esse espaço. Ele atropela o desejo, entrega descarga imediata, impede a delicadeza do percurso. O que era para ser experiência vira repetição. O que era para ser encontro vira fuga.

A dependência funciona como um atalho viciado. Você não passa pela estrada, não vê a paisagem, não sente a viagem. Aperta o botão e cai direto na descarga química. Mas, sem caminho, não há prazer. Só sobra compulsão.

 

RESSIGNIFICAR O PRAZER: O CONVITE DA SOBRIEDADE

Sobriedade não é ausência de prazer — é a chance de reencontrá-lo.

Sem álcool, o corpo volta a ser corpo. Os sentidos despertam. O toque volta a ter textura. O beijo não apaga, mas acende. O sexo não some na ressaca, mas se aprofunda na memória.

O movimento Sexy Sober é justamente isso: devolver ao prazer sua dignidade. Mostrar que ele não é anestesia, mas presença. Não é excesso, mas intensidade. Não é ilusão, mas verdade.

A psicanálise nos lembra: somos seres de falta. Desejamos porque algo nos escapa. O prazer nasce desse vazio criativo, dessa busca que nunca se fecha totalmente. O álcool tentava tapar essa falta com líquido, mas só aumentava o buraco. A sobriedade nos ensina a habitar a falta sem desespero — a transformá-la em arte, em riso, em desejo.

 

SEXY RESSIGNIFICADO

Por muito tempo, sexy foi confundido com a embriaguez. Sexy era rir alto demais, tropeçar de salto, beijar sem lembrar. Sexy era a estética das propagandas: corpos plastificados, suor artificial, alegria fabricada.

Mas sexy de verdade nunca foi isso.

Sexy é autenticidade.

Sexy é a coragem de sustentar o olhar.

Sexy é ter brilho nos olhos sem precisar de copo.

Sexy é ocupar o corpo sem anestesia.

Sexy é ser inteiro, mesmo na vulnerabilidade.

É isso que o Sexy Sober propõe: resgatar a sensualidade perdida no excesso. Transformar o corpo desperto em palco do prazer. Mostrar que o magnetismo não está na garrafa, mas na presença lúcida.

 

O MOVIMENTO SEXY SOBER

O mundo está testemunhando o crescimento de um novo estilo de vida: o movimento Sexy Sober. Pessoas que recusam a cultura da anestesia e escolhem a lucidez como forma de prazer. Não é apenas sobre parar de beber: é sobre criar uma nova estética de viver.

Esse movimento ressignifica o desejo: prazer não é descarga rápida, mas experiência inteira. Sexy não é a máscara embriagada, mas a autenticidade nua.

Sexy Sober é mais do que uma tendência: é uma revolução íntima e cultural. Uma recusa ao mito de que a sensualidade precisa de química. Uma afirmação de que sobriedade é potência, é charme, é erotismo novo.

O PRAZER REENCONTRADO

Na sobriedade, o prazer ganha nova forma. Ele se multiplica nas pequenas coisas:

  • o café quente que aquece as mãos;
  • a música que arrepia sem precisar de anestesia;
  • o silêncio que não oprime, mas acolhe;
  • o riso que não cobra ressaca;
  • o sexo vivido com clareza, que desperta ao invés de apagar;
  • o olhar no espelho que finalmente se sustenta.

Cada detalhe simples se torna fonte de prazer legítimo. E, ao contrário do álcool, esse prazer não cobra juros, não impõe ressaca, não destrói. Ele se acumula como força vital.

 

PRAZER É LIBERDADE

O álcool nunca deu prazer. Deu gozo compulsivo, anestesia, repetição.

A sobriedade devolve o prazer como criação, como encontro, como liberdade.

Sobriedade não é falta: é excesso. Excesso de presença, de lucidez, de autenticidade. É viver no volume máximo, sem medo de sentir.

Sexy Sober é isso: resgatar o corpo como lugar de prazer verdadeiro, reencontrar a sensualidade na lucidez, descobrir que nada é mais atraente do que estar inteiro.

No fim, prazer e sexy sempre estiveram juntos. A sobriedade apenas os devolve para onde eles sempre estiveram: em você.

 


Rafa Pessato

Especialista em Autoconhecimento e Comportamento

rafapessato.eu