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NÃO É SÓ SOBRE PARAR DE BEBER: é sobre começar a viver diferente

Muita gente acha que sobriedade é sinônimo de abstinência. Que basta dizer “não” ao álcool e pronto: missão cumprida. Mas quem já enfrentou o turbilhão da dependência — ou viveu ao lado de alguém que enfrentou — sabe que a coisa é bem mais profunda. Parar de beber é um passo importante, claro. Mas é só o primeiro. A mudança real não está em tirar algo da vida, e sim em aprender a viver de um jeito novo. É sobre reconstruir a relação com o tempo, com as emoções, com os vazios internos e com a própria identidade.

Este artigo propõe uma visão ampliada da sobriedade, baseada não só em ciência, mas também em vivências humanas reais e em uma filosofia prática de existência. Aqui, vamos desconstruir a ideia de que largar a bebida é o fim da linha. Pelo contrário: é o começo de uma caminhada para dentro de si — às vezes dolorosa, às vezes linda — mas sempre transformadora.

O MITO DA ABSTINÊNCIA COMO SOLUÇÃO MÁGICA

A sociedade ainda carrega uma visão simplista sobre o alcoolismo: que é só parar de beber e “voltar ao normal”. Mas qual “normal” é esse? Muitas vezes, o consumo abusivo surge exatamente porque o “normal” estava insuportável. A abstinência, sem uma reconstrução de sentido, pode virar só um castigo seco e solitário. Como diz o psicólogo e psiquiatra Gabor Maté, especializado em vícios e trauma, “a questão não é o vício em si, mas a dor que está por trás dele”.

Parar de beber é um alívio físico, sim. O corpo agradece. Mas a mente? A alma? A forma como a pessoa aprendeu a lidar com os próprios sentimentos, com o estresse, com os relacionamentos, com a solidão — tudo isso precisa ser revisitado. E isso exige tempo, intenção e, muitas vezes, apoio profissional.

A SOBRIEDADE COMO PROJETO EXISTENCIAL

Se a dependência química é uma forma disfuncional de tentar lidar com a vida, a sobriedade precisa ser algo mais do que não usar uma substância. Precisa ser um projeto existencial. Uma reconfiguração da forma como a pessoa se percebe no mundo. E isso não acontece do dia para a noite.

É nesse ponto que entra a ideia de sobriedade ampliada — uma expressão que vai além da ausência de álcool e convida à presença. Presença em si. Presença no corpo, nas decisões, nas emoções. A sobriedade, nesse sentido, é um novo jeito de viver. Um novo contrato consigo mesmo, com menos fuga e mais intenção.

Como disse Viktor Frankl, psiquiatra austríaco e sobrevivente do Holocausto: “Quando não podemos mais mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.” E viver em sobriedade é justamente isso: um convite a mudanças profundas, que começam dentro e se espalham para todas as áreas da Muita gente acha que sobriedade é sinônimo de abstinência. Que basta dizer “não” ao álcool e pronto: missão cumprida. Mas quem já enfrentou o turbilhão da dependência — ou viveu ao lado de alguém que enfrentou — sabe que a coisa é bem mais profunda. Parar de beber é um passo importante, claro. Mas é só o primeiro. A mudança real não está em tirar algo da vida, e sim em aprender a viver de um jeito novo. É sobre reconstruir a relação com o tempo, com as emoções, com os vazios internos e com a própria identidade.

Este artigo propõe uma visão ampliada da sobriedade, baseada não só em ciência, mas também em vivências humanas reais e em uma filosofia prática de existência. Aqui, vamos desconstruir a ideia de que largar a bebida é o fim da linha. Pelo contrário: é o começo de uma caminhada para dentro de si — às vezes dolorosa, às vezes linda — mas sempre transformadora.

O MITO DA ABSTINÊNCIA COMO SOLUÇÃO MÁGICA

A sociedade ainda carrega uma visão simplista sobre o alcoolismo: que é só parar de beber e “voltar ao normal”. Mas qual “normal” é esse? Muitas vezes, o consumo abusivo surge exatamente porque o “normal” estava insuportável. A abstinência, sem uma reconstrução de sentido, pode virar só um castigo seco e solitário. Como diz o psicólogo e psiquiatra Gabor Maté, especializado em vícios e trauma, “a questão não é o vício em si, mas a dor que está por trás dele”.

Parar de beber é um alívio físico, sim. O corpo agradece. Mas a mente? A alma? A forma como a pessoa aprendeu a lidar com os próprios sentimentos, com o estresse, com os relacionamentos, com a solidão — tudo isso precisa ser revisitado. E isso exige tempo, intenção e, muitas vezes, apoio profissional.

A SOBRIEDADE COMO PROJETO EXISTENCIAL

Se a dependência química é uma forma disfuncional de tentar lidar com a vida, a sobriedade precisa ser algo mais do que não usar uma substância. Precisa ser um projeto existencial. Uma reconfiguração da forma como a pessoa se percebe no mundo. E isso não acontece do dia para a noite.

É nesse ponto que entra a ideia de sobriedade ampliada — uma expressão que vai além da ausência de álcool e convida à presença. Presença em si. Presença no corpo, nas decisões, nas emoções. A sobriedade, nesse sentido, é um novo jeito de viver. Um novo contrato consigo mesmo, com menos fuga e mais intenção.

Como disse Viktor Frankl, psiquiatra austríaco e sobrevivente do Holocausto: “Quando não podemos mais mudar uma situação, somos desafiados a mudar a nós mesmos.” E viver em sobriedade é justamente isso: um convite a mudanças profundas, que começam dentro e se espalham para todas as áreas da vida.

RECONSTRUINDO A IDENTIDADE: QUEM SOU EU SEM A BEBIDA?

Durante anos, muitas pessoas constroem uma identidade que gira em torno do álcool: o amigo da cerveja, o festeiro do grupo, a mãe que bebe para relaxar, o pai que toma um “gole” para dormir. Quando esse recurso é tirado, a sensação pode ser de vazio existencial. “Quem sou eu sem isso?” é uma pergunta comum — e legítima.

Esse momento de crise pode se transformar numa janela poderosa de reinvenção. Aos poucos, a pessoa vai descobrindo que não é só a ausência da bebida que importa, mas o que vem no lugar dela. Quais prazeres podem ser resgatados? Quais relações podem ser aprofundadas? Quais medos precisam ser enfrentados com coragem?

A reconstrução da identidade passa por uma ressignificação profunda de valores. Do que vale a pena. Do que é liberdade. Do que é prazer. E essa reconstrução é única para cada pessoa. A sobriedade, nesse sentido, não é um molde — é um caminho singular, mas que precisa ser trilhado com suporte.

FILOSOFIA DE VIDA: DA ANESTESIA À PRESENÇA

A bebida, muitas vezes, é usada como anestésico. Uma forma rápida de escapar da ansiedade, do tédio, da dor. Mas viver anestesiado é viver no automático. A sobriedade, por outro lado, nos desafia à presença. E a presença nem sempre é confortável.

Assumir a sobriedade como filosofia de vida é aceitar que a dor faz parte da experiência humana — mas que também faz parte a alegria, o amor, a criatividade, a autenticidade. É sair do ciclo reativo e começar a viver com mais consciência.

Esse movimento pode ser sustentado por práticas cotidianas: meditação, caminhada, escrita, arte, espiritualidade, grupos de apoio. Não se trata de “preencher o tempo livre” para não pensar em beber. Trata-se de criar uma nova forma de habitar o próprio tempo.

Como propõe a filosofia estoica, não temos controle sobre tudo, mas temos poder sobre nossas atitudes. A sobriedade nos devolve esse poder.

RECONEXÃO CONSIGO E COM O MUNDO: A POTÊNCIA DOS VÍNCULOS

Um dos maiores equívocos sobre a recuperação é a ideia de que é um processo solitário. Claro, existe um movimento interno que só a própria pessoa pode fazer. Mas isso não significa isolamento. Pelo contrário: a sobriedade verdadeira se fortalece nos vínculos.

Reconectar-se com o próprio corpo, com os próprios desejos, com a natureza, com pessoas que respeitam e acolhem — tudo isso fortalece o processo. O oposto do vício não é a sobriedade em si: é a conexão. Quem afirma isso é Johann Hari, autor do famoso TED Talk “Everything You Think You Know About Addiction is Wrong”.

É preciso aprender a se permitir ser cuidado, ser visto, ser amado — sem precisar da muleta da substância. Isso exige coragem, mas é possível. E, mais do que possível, é libertador.

CAMINHAR COM INTENÇÃO: O PAPEL DE UMA PRÁTICA CONTÍNUA

Não basta parar de beber um dia. É preciso criar condições para continuar dizendo “sim” para essa nova vida, todos os dias. Isso envolve autoconhecimento, autorresponsabilidade e, sim, prática. Porque viver diferente não é automático. É um exercício.

Ao identificar isso criei o método CER (Ciclo Essencial de Realização) que propõe essa estrutura de prática. O ciclo parte da Reflexão Integral (olhar para dentro com honestidade), passa pela Reconexão Intencional (escolher vínculos e hábitos saudáveis) e chega à Realização Efetiva (agir com propósito).

É uma abordagem prática, mas também filosófica. Porque a vida precisa de direção — e a sobriedade é justamente sobre escolher essa direção com clareza.

VIVER DIFERENTE É VIVER COM SENTIDO

Parar de beber, por si só, não resolve tudo. Mas é um ato de coragem que abre espaço para algo muito maior: uma vida com mais verdade. Mais afeto. Mais presença. Mais autonomia.

A sobriedade não é ausência de algo. É presença de tudo aquilo que realmente importa.

Ela é o terreno fértil para uma nova filosofia de vida — uma em que você não precisa mais se anestesiar para suportar os dias, mas pode começar a construir uma existência com sentido.

E sentido, no fim das contas, é o que buscamos. O resto, a gente aprende a viver — um dia de cada vez.

RECONSTRUINDO A IDENTIDADE: QUEM SOU EU SEM A BEBIDA?

Durante anos, muitas pessoas constroem uma identidade que gira em torno do álcool: o amigo da cerveja, o festeiro do grupo, a mãe que bebe para relaxar, o pai que toma um “gole” para dormir. Quando esse recurso é tirado, a sensação pode ser de vazio existencial. “Quem sou eu sem isso?” é uma pergunta comum — e legítima.

Esse momento de crise pode se transformar numa janela poderosa de reinvenção. Aos poucos, a pessoa vai descobrindo que não é só a ausência da bebida que importa, mas o que vem no lugar dela. Quais prazeres podem ser resgatados? Quais relações podem ser aprofundadas? Quais medos precisam ser enfrentados com coragem?

A reconstrução da identidade passa por uma ressignificação profunda de valores. Do que vale a pena. Do que é liberdade. Do que é prazer. E essa reconstrução é única para cada pessoa. A sobriedade, nesse sentido, não é um molde — é um caminho singular, mas que precisa ser trilhado com suporte.

FILOSOFIA DE VIDA: DA ANESTESIA À PRESENÇA

A bebida, muitas vezes, é usada como anestésico. Uma forma rápida de escapar da ansiedade, do tédio, da dor. Mas viver anestesiado é viver no automático. A sobriedade, por outro lado, nos desafia à presença. E a presença nem sempre é confortável.

Assumir a sobriedade como filosofia de vida é aceitar que a dor faz parte da experiência humana — mas que também faz parte a alegria, o amor, a criatividade, a autenticidade. É sair do ciclo reativo e começar a viver com mais consciência.

Esse movimento pode ser sustentado por práticas cotidianas: meditação, caminhada, escrita, arte, espiritualidade, grupos de apoio. Não se trata de “preencher o tempo livre” para não pensar em beber. Trata-se de criar uma nova forma de habitar o próprio tempo.

Como propõe a filosofia estoica, não temos controle sobre tudo, mas temos poder sobre nossas atitudes. A sobriedade nos devolve esse poder.

RECONEXÃO CONSIGO E COM O MUNDO: A POTÊNCIA DOS VÍNCULOS

Um dos maiores equívocos sobre a recuperação é a ideia de que é um processo solitário. Claro, existe um movimento interno que só a própria pessoa pode fazer. Mas isso não significa isolamento. Pelo contrário: a sobriedade verdadeira se fortalece nos vínculos.

Reconectar-se com o próprio corpo, com os próprios desejos, com a natureza, com pessoas que respeitam e acolhem — tudo isso fortalece o processo. O oposto do vício não é a sobriedade em si: é a conexão. Quem afirma isso é Johann Hari, autor do famoso TED Talk “Everything You Think You Know About Addiction is Wrong”.

É preciso aprender a se permitir ser cuidado, ser visto, ser amado — sem precisar da muleta da substância. Isso exige coragem, mas é possível. E, mais do que possível, é libertador.

CAMINHAR COM INTENÇÃO: O PAPEL DE UMA PRÁTICA CONTÍNUA

Não basta parar de beber um dia. É preciso criar condições para continuar dizendo “sim” para essa nova vida, todos os dias. Isso envolve autoconhecimento, autorresponsabilidade e, sim, prática. Porque viver diferente não é automático. É um exercício.

Ao identificar isso, criei o método CER (Ciclo Essencial de Realização) que propõe essa estrutura de prática. O ciclo parte da Reflexão Integral (olhar para dentro com honestidade), passa pela Reconexão Intencional (escolher vínculos e hábitos saudáveis) e chega à Realização Efetiva (agir com propósito).

É uma abordagem prática, mas também filosófica. Porque a vida precisa de direção — e a sobriedade é justamente sobre escolher essa direção com clareza.

VIVER DIFERENTE É VIVER COM SENTIDO

Parar de beber, por si só, não resolve tudo. Mas é um ato de coragem que abre espaço para algo muito maior: uma vida com mais verdade. Mais afeto. Mais presença. Mais autonomia.

A sobriedade não é ausência de algo. É presença de tudo aquilo que realmente importa.

Ela é o terreno fértil para uma nova filosofia de vida — uma em que você não precisa mais se anestesiar para suportar os dias, mas pode começar a construir uma existência com sentido.

E sentido, no fim das contas, é o que buscamos. O resto, a gente aprende a viver — um dia de cada vez.