Você já ouviu alguém dizer “queria ficar sóbrio, mas só por curiosidade”? Isso é o espírito do Sober Curious — mais que abstinência radical, é questionar: “será que preciso mesmo beber pra me divertir ou me sentir bem?”. E a resposta da turma mais jovem é um “talvez” bem sonoro. A seguir, vamos destrinchar essa onda com dados o mais atuais possível, sem papo furado.
🌱 DE ONDE VEIO ESSE PAPO DE “SÓBRIO POR CURIOSIDADE”?
O termo ganhou força com o livro Sober Curious (2019), de Ruby Warrington: um convite leve a refletir sobre o consumo de álcool — sem condenação moral, mas com consciência. O foco? Não é parar, e sim dar um basta no automático: reavaliar quando, por que e quanto se bebe.
📊 DADOS QUE FAZEM ABRIR OS OLHOS
Geração Z global
Segundo a NCSolutions, o interesse em Sober Curious cresceu 53% entre os jovens de 2023 a 2024 — passou de 40% para 61% que planejam reduzir o consumo.
Aproximadamente 34% deles dizem que experimentariam um produto se ele fosse rotulado como “Sober Curious”.
Nos EUA, segundo a Mintel, 39% seguem esse estilo de vida por motivos físicos; 29%, por bem-estar mental; e 22% frequentemente, 16% ocasionalmente.
Um estudo da Youth Pulse (maio/25) revelou que só metade da Geração Z bebe regularmente; entre os que bebem, a maioria consome pouco — 38% até 6 doses semanais; só 2% ultrapassam 28 doses.
Brasil na onda
Segundo levantamento da MindMiners (maio/25), 55% dos brasileiros da Geração Z não bebem; dos que bebem, 43% querem cortar.
Um estudo no Tinder (set/24) com 18‑25 anos mostrou que 84% não bebem regularmente; 38% preferem encontros sem álcool; e 60% garantiram que a ausência de bebida não afetou a vibe.
No Brasil, 83% estão abertos a experimentar bebidas não alcoólicas; 62% já pensaram em reduzir o consumo.
Mercado reagindo rápido
Dados da Anónte (abril/25): o consumo de bebidas não alcoólicas com baixo impacto cresceu de 133 mi de litros (2018) para 752 mi em 2024 no Brasil; previsão de chegar a 1,18 bi até 2026.
Globalmente, mesmo com queda de 1% no segmento alcoólico em 2024, a cerveja não alcoólica cresceu 9%, já representando 2 % de todo o mercado cervejeiro.
Heineken 0.0 teve crescimento de 14% no início de 2024.
🤔 POR QUE A GALERA ESTÁ FICANDO #SOBERCURIOUS?
Saúde e bem-estar: mente clara, noites de sono sem ressaca, menos calorias — 39% citam saúde física e 29% saúde mental como motivadores.
Grana no bolso: economizar aparece entre os principais motivos, junto à saúde.
Imagem social: com redes sociais o tempo todo, manter o controle virou tendência — e beber menos ajuda nisso.
Pressão social: ainda existe um pouco daquele “será que vou parecer boring?”. Pesquisa de Heineken/Oxford mostrou que 21% da Gen Z já sofreram crítica por pedir bebidas sem álcool.
Alternativas legais: mocktails (drink sem álcool que imita um coquetel tradicional), cervejas 0.0, RTDs (Sigla de “prontos para beber” — são bebidas já preparadas e enlatadas ou engarrafadas).
🍹 VAI UM MOCKTAIL AÍ? O QUE TÁ BOMBANDO
Mocktails são o xodó: 37% da Gen Z beberam mocktail em 2023, contra 16% que tomaram cerveja sem álcool.
RTDs estilosos, bastante presença nas redes: no Reino Unido o mercado saltou de £530 mi para £970 mi em cem milhões de libras em 2024.
No esquema “zebra striping” (alternar bebida alcoólica e sem álcool), 78% dos jovens do UK reduziram o consumo, e um terço das visitas ao pub são agora sem álcool .
🎯 É MODINHA OU NOVA LIFESTYLE?
Argumentos a favor de virar estilo:
Consistentes dados positivos: internações por intoxicação etílica vêm caindo na Europa; no Brasil, quedas confirmadas de consumo pesado entre 14‑18 anos (de 60,7 % em 2012 a 20,8 % em 2023 na Espanha – EU só pra comparação).
Indústria investe pesado: cerveja 0.0, mocktails, RTDs são uma realidade. Mercado de bebidas não alcoólicas pode atingir USD 3,8 tri até 2034.
Cultura de bem-estar em alta: jovens priorizam controle de vida, produtividade, experiência real — a ressaca vem perdendo glamour.
MAS TEM QUEM ACHE QUE É MODINHA AINDA
Ainda tem sober-shaming rolando. Os 21 % que sofreram crítica são a prova.
Muitos ainda misturam bebidas alcoólicas e não alcoólicas facilmente, sem aderir totalmente.
Há quem apenas adote “dry january” e depois volte ao padrão.
Apesar de muitos acharem que essa é apenas uma moda, o Sober Curious é mais que papo de redes sociais ou um “Dry January” eventual. Tem base: é crescimento genuíno no interesse por bem-estar, apoio de mercado, cultura de autocontrole. Mas ainda convive com o julgamento social. Tá aí um estilo que chegou pra ficar — mas é para quem quer refletir, escolher e curtir de forma diferente.
O que achou? Vai um mocktail aí ou você prefere os bons e velhos shots?
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Rafa Pessato
Especialista em Autoconhecimento e Comportamento