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JANEIRO SECO: o que uma pausa no álcool realmente revela

Todo janeiro chega com uma promessa silenciosa: agora vai.

Ano novo, vida nova, hábitos novos.

Mas quem atravessa o réveillon não atravessa um portal mágico. O corpo chega cansado, o sono bagunçado, o bolso apertado, a cabeça cheia. O ano muda no calendário, mas a vida continua do ponto exato em que estava.

É nesse intervalo entre expectativa e realidade que o Janeiro Seco faz sentido.

Não como milagre.

Não como moral.

Mas como pausa.

 

O QUE É O JANEIRO SECO — E DE ONDE ELE VEIO

O Janeiro Seco (Dry January) surgiu no Reino Unido, em 2013, como uma campanha de saúde pública incentivando as pessoas a passarem o mês de janeiro sem consumir álcool. A proposta, apoiada por organizações como a Alcohol Change UK, não era tratar alcoolismo nem impor abstinência definitiva, mas provocar uma experiência simples: como seu corpo e sua mente reagem quando o álcool sai de cena por um tempo?

A ideia se espalhou rapidamente. Hoje, milhões de pessoas em diferentes países participam da iniciativa todos os anos.

O sucesso do Janeiro Seco não está em prometer transformação total. Está em algo mais básico — e mais raro: interromper o automático.

 

O QUE A CIÊNCIA OBSERVA QUANDO O ÁLCOOL SAI DE CENA

Estudos conduzidos por universidades e institutos de saúde pública mostram que mesmo um período curto sem beber costuma gerar efeitos claros:

  • melhora do sono e da disposição
  • redução de ansiedade basal
  • mais clareza mental
  • melhora de marcadores físicos como pressão arterial e função hepática
  • diminuição do consumo nos meses seguintes, mesmo entre quem volta a beber

Pesquisas associadas à Universidade de Sussex, no Reino Unido, acompanharam participantes do Janeiro Seco e observaram que muitos continuaram bebendo menos até seis meses depois. Não porque decidiram “parar para sempre”, mas porque aprenderam algo sobre si mesmos nesse intervalo.

Isso é central: a pausa ensina.

 

POR QUE JANEIRO — E POR QUE ISSO É AMBÍGUO

Janeiro carrega um simbolismo forte. Ele representa começo, tentativa, promessa. Isso ajuda — mas também pesa.

Começar algo em janeiro pode dar impulso coletivo.

Mas também pode virar cobrança excessiva: “se eu não conseguir agora, não consigo nunca”.

Para algumas pessoas, passar 30 dias sem beber é libertador.

Para outras, é um peso grande demais para um mês que já vem carregado de contas, expectativas e cansaço emocional.

O erro comum é transformar a pausa em prova de caráter.

E o Janeiro Seco não foi criado para isso.

 

O QUE O JANEIRO SECO REALMENTE FAZ (QUANDO FUNCIONA)

Quando funciona, ele não cria super-heróis sóbrios.

Ele cria pessoas mais conscientes.

A pessoa percebe:

  • em que momentos sente mais vontade de beber
  • o que o álcool estava ajudando a suportar
  • como o corpo reage sem anestesia
  • quanto do consumo era hábito, não desejo real

Isso vale inclusive para quem não completa o mês inteiro.

A ciência já observou que a tentativa, por si só, já produz efeitos positivos.

 

CELEBRIDADES, PAUSAS E DESCOBERTAS

Algumas figuras públicas ajudaram a popularizar esse debate ao falar abertamente sobre suas pausas no álcool.

O ator Tom Holland, por exemplo, contou que começou com um Janeiro Seco e percebeu algo desconfortável: ficar sem beber era mais difícil do que ele imaginava. Essa constatação foi o início de uma decisão maior de sobriedade.

Esses relatos não são importantes por serem de famosos, mas porque mostram algo comum: muitas pessoas só percebem o lugar que o álcool ocupa quando ele sai.

 

PAUSA NÃO É FIM — É COMEÇO DE CONVERSA

Existe uma ideia enganosa de que só há dois caminhos possíveis: beber como antes ou parar para sempre.

A pausa mostra um terceiro: observar.

Foi a partir desse entendimento — o mesmo que sustenta o Janeiro Seco — que criei a JORNADA 21 DIAS SEM ÁLCOOL.

Ela nasce do mesmo princípio do Janeiro Seco: ficar um período sem beber muda a relação com o álcool.

A diferença é simples e prática: a JORNADA 21 DIAS SEM ÁLCOOL pode começar em qualquer momento do ano.

Porque a vida real não espera janeiro.

 

JORNADA 21 DIAS SEM ÁLCOOL: UMA PAUSA POSSÍVEL, EM QUALQUER MÊS

A proposta da jornada é atravessar 21 dias sem álcool com atenção ao corpo, às emoções e à rotina. Não como desafio de força de vontade, mas como experiência de consciência.

Ela se organiza em três movimentos:

  • quebra do padrão automático
  • reconexão com o prazer sem anestesia
  • invenção de uma rotina mais habitável

Sem promessas absolutas.

Sem moral.

Sem “nunca mais”.

 

LUGAR DE FALA IMPORTA

Escrevo e trabalho com esse tema como psicanalista, especialista em autoconhecimento e comportamento. E também como alguém que parou de beber em setembro de 2018.

Isso não me coloca acima de ninguém.

Mas me coloca dentro da experiência.

Sei, na teoria e no corpo, que parar por um período muda o jeito de sentir, pensar e habitar a própria vida.

 

JANEIRO SECO COMO CONVITE — NÃO COMO REGRA

O Janeiro Seco não precisa ser obrigação nem prova pessoal.

Ele pode ser visto como o que realmente é: um convite coletivo à pausa.

Alguns começam em janeiro.

Outros em abril, agosto, novembro.

O que importa não é o mês.

É a pausa.

Porque quando o álcool sai, mesmo que por um tempo, algo entra em cena: você.

 


Rafa Pessato

Embriague-se de si!

rafapessato.eu

CONHEÇA:

JORNADA 21 DIAS SEM ÁLCOOL