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3 COISAS PARA ELIMINAR EM 2026 – E se sentir mais aliviado, com menos “VONTADE DE BEBER”

Durante muito tempo, o debate sobre álcool foi dominado por uma lógica moral: força de vontade versus fraqueza, controle versus desvio.

Mas a ciência contemporânea é clara: as pessoas não bebem apenas pela substância, bebem pelo efeito psicológico, social e emocional que o álcool oferece.

O Instituto Nacional sobre Abuso de Álcool e Alcoolismo (NIAAA) aponta que o álcool é frequentemente utilizado como regulador emocional, especialmente em contextos de estresse crônico, sobrecarga relacional e sofrimento psíquico não elaborado.

Em outras palavras: quanto mais pesada está a vida, maior a probabilidade de buscar anestesia.

Por isso, reduzir a vontade de beber não começa no copo.

Começa naquilo que você carrega todos os dias — muitas vezes sem perceber.

Se você eliminar apenas três fontes centrais de sobrecarga em 2026, a evidência científica sugere:

  • redução do estresse padrão,
  • melhora da regulação emocional,
  • diminuição da necessidade de alívio químico.

 

PROBLEMAS QUE NÃO SÃO SEUS

Um dos fatores mais associados ao uso problemático de álcool é o estresse crônico percebido.

Pesquisas clássicas em psicologia, como o modelo de estresse e enfrentamento (coping) desenvolvido por Richard S. Lazarus e Susan Folkman, demonstram que assumir responsabilidades fora do próprio controle aumenta significativamente a ativação do sistema de estresse do organismo, especialmente do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de cortisol (um dos principais hormônios do estresse).

Quando esse estado se prolonga:

  • a capacidade de autorregulação diminui,
  • a impulsividade aumenta,
  • e cresce a busca por substâncias que deprimem o sistema nervoso central — como o álcool.

No dia a dia é possível observar com frequência em alcoolistas: pessoas que se sentem responsáveis pelo bem-estar emocional da família, do parceiro, dos amigos, do ambiente inteiro.

Elas não sofrem apenas com a própria dor.

Sofrem com a dor dos outros morando dentro delas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que a dificuldade de estabelecer limites interpessoais é um fator de risco para sofrimento mental e uso problemático de substâncias.

Eliminar problemas que não são seus não é indiferença.

É delimitação psíquica.

É reconhecer onde você termina e o outro começa.

Enquanto você carregar o mundo nas costas, o corpo pedirá descanso.

E o álcool seguirá se oferecendo como descanso artificial.

 

O DESEJO DE AGRADAR TODO MUNDO

Outro fator amplamente estudado é a necessidade excessiva de aprovação social, conhecida como people pleasing.

Segundo a Associação Americana de Psicologia (APA), pessoas com alto nível de orientação para agradar apresentam:

  • maior ansiedade social,
  • maior dificuldade de dizer não,
  • maior risco de usar o álcool como mediador social.

Do ponto de vista neurobiológico, o álcool reduz temporariamente a atividade do córtex pré-frontal — região associada ao autocontrole e à autoconsciência — e aumenta a liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à sensação de recompensa.

Isso explica por que tantas pessoas relatam que o álcool ajuda a:

  • relaxar em situações sociais,
  • sentir pertencimento,
  • diminuir a autocobrança,
  • “ser mais elas mesmas”.

O problema é que esse alívio é temporário.

Estudos mostram que, após o efeito inicial, ocorre aumento da ansiedade, maior autocrítica e maior necessidade de repetir o consumo para obter o mesmo efeito.

Ou seja: você bebe para conseguir existir sem tanta vigilância interna.

Eliminar o desejo de agradar todo mundo reduz uma das principais funções psíquicas do álcool.

Quando você pode sustentar limites, frustrações e diferenças sem se abandonar, a bebida perde parte de seu poder.

 

A NECESSIDADE DE SER FORTE O TEMPO TODO

A ciência a qual estuda a regulação emocional é direta: suprimir emoções não as elimina.

Pesquisas conduzidas porJames Gross, referência internacional em regulação emocional, demonstram que a supressão emocional:

  • aumenta a ativação fisiológica,
  • intensifica o estresse interno,
  • e favorece o uso de estratégias compensatórias de alívio — incluindo o álcool.

Na psicanálise, esse fenômeno aparece como o sujeito que não se autoriza à falta, à fragilidade ou à dependência simbólica.

Na sociologia contemporânea, aparece como o ideal de desempenho constante e autossuficiência.

O resultado é um corpo exausto sustentando uma imagem de força.

Estudos publicados na revista Estudos sobre Álcool e Drogas indicam que pessoas que relatam a necessidade de “não falhar” ou “não demonstrar fraqueza” apresentam maior risco de uso problemático de álcool, especialmente como forma de desligamento noturno.

O álcool passa a ser:

  • a única pausa permitida,
  • o único lugar onde a vigilância cai,
  • o único espaço onde a pessoa se autoriza a parar.

Eliminar a obrigação de ser forte o tempo todo não enfraquece.

Humaniza.

E humanos que podem descansar emocionalmente precisam menos de anestesia.

 

SE VOCÊ ELIMINAR APENAS ISSO EM 2026…

  • Problemas que não são seus
  • O desejo de agradar todo mundo
  • A necessidade de ser forte o tempo todo

…a evidência científica sugere que você:

  • reduzirá o estresse crônico,
  • aumentará a clareza emocional,
  • diminuirá a probabilidade de usar o álcool como regulador da vida psíquica.

Isso não é promessa motivacional.

É coerência biopsicossocial.

A própria OMS reforça que o consumo problemático de álcool está muito mais ligado a contextos emocionais, sociais e culturais do que a falhas morais individuais.

Por isso, é importante dizer com clareza:

Sobriedade não é uma atitude moral.

É lucidez.

Lucidez sobre limites.

Sobre o corpo.

Sobre o que é — e o que não é — seu para carregar.

 


Rafa Pessato

Embriague-se de si!

rafapessato.eu